Ibiti Projeto
Encosta de Mata Atlântica regenerada sob os paredões da serra, vista do alto

Regeneração

Regenerar é revolucionar

“Fomos chamados para cuidar do planeta, tratando de suas feridas, e, no processo, curar a nós mesmos.”

Wangari MaathaiPrêmio Nobel da Paz

Cuidar da Terra é, em essência, cuidar de nós mesmos. No Ibiti, regenerar vai além de recuperar paisagens. É uma oportunidade de restaurar o equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente. É permitir que a natureza retome seu ciclo, nos ensinando, enquanto a acompanhamos em sua recuperação.

Por muitos anos, exploramos o planeta além dos limites, causando cicatrizes profundas. Hoje, somos parte de um movimento que busca reverter esse cenário. O Ibiti vem transformando áreas degradadas em um refúgio de biodiversidade ao longo de 40 anos, com 6 mil hectares em regeneração.

A ideia de transformar o Ibiti em um “Hospital da Terra” é o que guia o projeto. O objetivo é oferecer um modelo inspirador, que possa ser adaptado a outras paisagens.

Mas regenerar não é apenas recuperar o que foi perdido. É escolher que futuro queremos deixar.

A história da região

Quando a floresta volta, a vila também floresce

Morros de pastagem e fragmentos de mata vistos do mirante, até o horizonte da serra

A história da regeneração do Ibiti também passa pela Vila Mogol, povoado de Lima Duarte (MG). Durante décadas, a região perdeu moradores e oportunidades de trabalho. Muitos jovens partiram em busca de emprego, enquanto áreas ao redor foram ocupadas por pastagens, deixando marcas profundas na paisagem.

Areia clara de quartzo no alto do Areião ao amanhecer, com o mar de nuvens sobre as serras

Uma delas chama atenção de quem chega na vila: o grande morro de areia clara, marcado pela erosão. O branco que se vê à distância está ligado à exposição do material arenoso do solo depois que a erosão levou sua camada superficial, rica em matéria orgânica. Sem a vegetação para segurar a terra, a água da chuva desce com força, carregando areia e provocando o assoreamento dos cursos d’água.

Vista aérea do Areião: encostas de Mata Atlântica e paredões rochosos na Mantiqueira

Para conter esse processo, o Ibiti fez uma intervenção em diferentes níveis do morro: “A gente desacelera a água para ela ter tempo de infiltrar. Com isso, a vegetação começa a crescer, segura o solo e a erosão vai parando”, explica o engenheiro Hugo Cambraia, diretor do Ibiti Projeto. A vegetação já começa a ocupar novamente a encosta, sinal de que o processo de regeneração está em curso.

Rua de terra da Vila Mogol com o casario colorido e os jardins cuidados

Na vila, a transformação também aconteceu aos poucos. A partir de 2017, o Ibiti começou a recuperar algumas casas e criou o Ibiti Village. Vieram novos trabalhos, moradores retornaram, os jardins ao redor da igreja foram cuidados, a rua foi pavimentada e o acesso melhorou. Aos poucos, a presença do projeto ajudou a criar novas possibilidades de trabalho, sem apagar sua história e seu jeito próprio de existir.

Hoje, a floresta que volta a crescer no morro e a vida que retorna à Vila Mogol fazem parte da mesma história de regeneração.

Imagem de satélite de 2023 com o contorno do Ibiti: a mata fechada ocupando quase todo o territórioImagem de satélite de 1985 com o contorno do Ibiti: pastos claros e manchas de mata

Imagens de satélite, 1985 e 2023

A transformação em números

O que os olhos da nossa comunidade já enxergavam no horizonte é comprovado pela ciência. Em parceria com a Bioflore, uma das maiores referências em monitoramento ambiental por sensoriamento remoto (utilizando imagens do satélite Sentinel-2 e geotecnologias), medimos o impacto real de 40 anos de regeneração.

do território do Ibiti (5.906 hectares) está dedicado a processos de regeneração e rewilding.
96%
hectares de novas florestas renasceram onde antes havia pasto degradado, uma área equivalente a 85% de todo o Parque Estadual do Ibitipoca.
1.280
A cobertura do território hoje
  • 62% da nossa área total já é coberta por floresta nativa contínua.
  • 21% correspondem ao candeal, formação florestal característica dos campos de altitude, marcada pela presença da candeia.
  • Apenas 15,2% permanecem como pastagem, enquanto menos de 1% corresponde a benfeitorias, estradas e corpos d'água.
da vegetação possui mais de 38 anos, indicando áreas com maior estabilidade ecológica e valor de conservação.
63%
hectares de áreas nucleares (as zonas mais protegidas e biodiversas no interior das matas) foram consolidados.
+1.600

Índice de Estado de Conservação (IEC)

A nota de integridade ecológica do nosso território subiu de 48 (em 1985) para 67 (em 2023).

Diminuição do efeito de borda

A expansão e conexão dos fragmentos florestais protege o interior da mata contra variações térmicas, ventos e degradação externa.

“O que vemos aqui é revolucionário. Não se trata apenas de preservar o que sobrou, mas de restaurar em larga escala e mostrar que é possível devolver a floresta ao seu lugar de origem.”

Heitor FilpiCEO e cofundador da Bioflore
Cachoeira entre lajes de pedra avermelhada e a mata do Ibiti

“Não basta ser só sustentável, é urgente ser regenerativo.”

Renato Machadofundador do Ibiti Projeto

Rewilding: devolvendo a vida ao seu lugar

Regenerar a flora é apenas metade do caminho. A floresta precisa de seus habitantes para continuar viva. Através de parcerias estratégicas de rewilding, estamos restabelecendo interações ecológicas perdidas:

  1. Muriqui-do-norte se equilibrando entre os galhos da mata

    Projeto Muriqui House

    Em parceria com o Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), desenvolvemos um trabalho inédito no Brasil focado na reabilitação e reprodução assistida do muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus). Maior primata das Américas e criticamente ameaçado de extinção, o muriqui é o verdadeiro guardião da nossa mata.

    Saiba mais
  2. Vale de Mata Atlântica com as quedas d’água da Sete Quedas

    Reintrodução das jacutingas

    Em parceria com a ONG Crax e a Airom Ambiental, devolvemos à natureza 30 jacutingas, aves que estavam extintas localmente. Como dispersoras de sementes grandes, elas atuam como “jardineiras” ativas da Mata Atlântica.

  3. Mão segurando frutos maduros da palmeira-juçara

    Plantio da palmeira-juçara

    Cultivamos essa espécie-chave para garantir alimento farto durante todo o ano para aves e mamíferos.

  4. Cachoeira estreita caindo no cânion de mata fechada

    Reintrodução de antas

    Um filhote em fase de adaptação e acompanhamento.

Passo a passo

  1. 01

    Pasto

  2. 02

    Tiramos o gado

  3. 03

    Protegemos contra incêndios

  4. 04

    Reintroduzimos animais

  5. 05

    Deixamos a inteligência da natureza e o tempo fazerem o seu trabalho

  6. 2.000anos

    Objetivo: ter a harpia de volta daqui a 2.000 anos

A sede do Engenho entre pastos, mata e o lago, ao pé da serra
Orquídeas brancas em flor sobre fundo de mata

Cuidado em cada ciclo: solo, água e resíduos

A regeneração no Ibiti acontece no ecossistema e na engenharia do cotidiano. Nossas práticas operacionais são desenhadas para fechar ciclos e eliminar o impacto ambiental:

  1. 01

    Gestão hídrica e saneamento biológico

    A água limpa que brota na Mantiqueira deve continuar pura para as próximas gerações. Nossos sistemas de esgoto são 100% ecológicos e descentralizados, utilizando biodigestores, círculos de bananeiras, wetlands e bacias de evapotranspiração (TEVAP). Tratamos 100% do efluente sem qualquer produto químico, garantindo o lançamento seguro no solo e preservando o lençol freático e os cursos d'água.

  2. 02

    Programa Lixo Zero e Central de Resíduos

    Coordenada pelo time local e inaugurada com a presença de Tião Santos (referência do documentário Lixo Extraordinário), nossa Central de Resíduos na Vila do Mogol opera sob a filosofia de Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Eliminamos o plástico de uso único, compostamos 100% da matéria orgânica e promovemos a economia circular no entorno.

  3. 03

    Biochar

    Com o uso de biochar, enriquecemos a estrutura biológica do solo, retemos nutrientes e umidade, além de fixar carbono de forma estável por centenas de anos.

  4. 04

    Agricultura regenerativa

    Cultivamos mais de 270 variedades de alimentos orgânicos livres de agrotóxicos para abastecer nossa gastronomia garden-to-table.

  5. 05

    Energia solar

    Investimos em energia solar fotovoltaica para abastecer nossas estruturas.

  6. 06

    Proteção do território

    Mantemos uma Brigada de Incêndio permanente, formada por moradores locais treinados para prevenção e combate a queimadas em toda a região.

Muriqui-do-norte entre as folhas da Mata Atlântica do Ibiti

Ibiti Regenera

O programa Ibiti Regenera é a nossa plataforma para neutralizar a pegada ecológica de colaboradores e visitantes, reinvestindo 100% dos recursos na manutenção contínua dos nossos projetos de rewilding, educação e preservação.

Parceiros

  • Muriqui Instituto de Biodiversidade
  • Bioflore
  • Crax
  • Airom Ambiental
Lago Negro ao entardecer, com a grande árvore e a mata na margem

Ibiti: um hotspot mundial de biodiversidade onde a regeneração natural é um projeto de vida